Gerenciamento de riscos psicossociais será obrigatório nas empresas

A atualização da Norma Regulamentadora NR 1, a partir de 26 de maio de 2026 foi aprovada com o reconhecimento dos riscos psicossociais como integrante do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

A decisão foi deliberada pela Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP) em 25 de março de 2026. Os empregadores pediram a prorrogação da data. Representantes do Governo, dos Trabalhadores e do Ministério Público do Trabalho foram unânimes em manter a vigência definida anteriormente.

Riscos psicossociais não é tema novo ou secundário na gestão trabalhista — eles são determinantes para a segurança, a produtividade e a sustentabilidade das organizações. Diversas organizações já realizam o gerenciamento desses riscos, adotando medidas para adequar as atividades às necessidades dos trabalhadores.

Entre 2019 e 2024, os benefícios previdenciários relacionados aos transtornos mentais aumentaram em mais de 104%, revelando cenário crítico. Apesar disso, o nexo dessas doenças com as características do trabalho ainda é pouco reconhecido, comprometendo a redução e a eliminação desses riscos nas organizações.

A nova abordagem da NR-1 busca melhorar a identificação, notificação e controle dos riscos psicossociais, especialmente aqueles relacionados a metas excessivas, pressão e assédio. A falta de ou a subnotificação dos adoecimentos por transtornos mentais compromete a eficácia das políticas públicas de redução dos acidentes de trabalho e dificulta a adoção de medidas preventivas.

O gerenciamento de riscos amplo deve considerar a saúde mental como integrante da segurança e saúde no trabalho, promovendo ambientes organizacionais mais saudáveis e sustentáveis.

Além disso, seguem em discussão ajustes em outras normas regulamentadoras, como requisitos técnicos em atividades específicas, condições de trabalho e treinamentos obrigatórios, visando a redução de riscos e a proteção dos trabalhadores.

O que são riscos psicossociais?

São fatores relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais e às exigências emocionais e cognitivas, capazes de afetar diretamente a saúde mental do trabalhador. Principais exemplos:

  • Metas excessivas e pressão por desempenho
  • Jornadas prolongadas e ausência de pausas
  • Assédio moral e organizacional
  • Baixo controle sobre o trabalho (falta de autonomia)
  • Ambiguidade de funções
  • Insegurança no emprego
  • Ambiente organizacional hostil

Esses riscos não são visíveis como agentes físicos ou químicos, mas produzem efeitos muitas vezes mais duradouros e prejudiciais à saúde. Os impactos ocorrem em múltiplas dimensões:

1. No trabalhador:

  • Transtornos de ansiedade e depressão
  • Síndrome de burnout
  • Distúrbios do sono
  • Queda de atenção e aumento de erros
  • Uso de medicamentos e afastamentos

2. Na organização:

  • Aumento do absenteísmo e presenteísmo
  • Redução da produtividade
  • Aumento de acidentes (por fadiga e distração)
  • Rotatividade elevada
  • Conflitos internos

3. Nas esferas jurídica e econômica:

  • Ações trabalhistas por danos morais
  • Reconhecimento de nexo causal com o trabalho
  • Custos previdenciários e passivos ocultos
  • Impactos na imagem institucional

As falhas de gerenciamento dos riscos psicossociais comprometem a saúde dos trabalhadores geram ônus para organizações, governo e sociedade.

Como gerenciar riscos psicossociais na prática?

A gestão de Segurança e Saúde Ocupacional nas organizações exige adaptação das ferramentas tradicionais:

1. Identificação

  • Pesquisas de satisfação e clima
  • Entrevistas pessoais e escuta ativa
  • Indicadores de afastamento e rotatividade

2. Avaliação

  • Análise da carga de trabalho e demandas
  • Mapeamento de fatores de estresse
  • Integração com dados de saúde ocupacional

3. Controle

  • Revisão de metas e processos
  • Políticas contra assédio
  • Programas de apoio psicológico
  • Treinamento de lideranças

4. Monitoramento

  • Acompanhar indicadores contínuos de saúde mental
  • Avaliação periódica do ambiente organizacional
  • Auditorias internas

A Segurança do Trabalho evolui a partir do modelo centrado em riscos físicos para o modelo integrado, que inclui:

  • Engenharia + comportamento + gestão
  • Saúde mental como fator de risco real
  • Prevenção como estratégia econômica

Todo trabalho seguro começa com prevenção — e esses profissionais são a linha de frente dessa missão.

Referências

BRASIL. Norma Regulamentadora NR 1 – Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Brasília: MTE, 2026. Disponível em: <https://is.gd/E34UH8>. Acesso em: 27 nov. 2025.

Direitos Autorais

Loxxi Engenharia, Eng. Seg. Trab. Rone Antônio de Azevedo, 27 nov. 2025.

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